Bagagem
O que levar na mala para a Europa
Atualizado em agosto de 2026
A lista de mala genérica não serve para quem sai do Brasil. Nossas estações são invertidas, nossa tomada é diferente de todas as europeias, nossa voltagem também, e há coisas que você guarda na mala sem pensar (um queijo, um pacote de linguiça, a caixa de remédio sem a receita) que dão multa ou confisco na chegada. Este guia trata dessas diferenças. No fim, os links para o clima mês a mês de cada país.
Comece pela lista abaixo. Ela é a versão universal, a que serve para qualquer país do continente em qualquer época. Vá marcando conforme põe na mala; a explicação de cada ponto polêmico (voltagem, remédio, queijo, dinheiro) vem logo depois.
Documentos
Eletrônicos
Roupas
Higiene e farmácia
Dinheiro e cartões
Bagagem de mão
Para o desembarque
As marcações ficam salvas no seu navegador, sem cadastro nem login: pode fechar a página e voltar semanas depois que os itens continuam marcados. O botão Imprimir gera uma folha limpa, só com a lista, para quem prefere riscar no papel enquanto arruma a mala. Marcar num celular não sincroniza com o computador, porque nada disso sai do seu aparelho.
O erro número um: as estações são invertidas
Parece óbvio quando escrito, e mesmo assim é o que mais estraga viagem. Quando é inverno no Brasil, é verão na Europa. Quando é o nosso verão (dezembro, janeiro, fevereiro, as férias em que a maior parte da gente viaja), é inverno lá.
O problema não é saber disso. É dimensionar. Quem nunca passou por menos de 10 °C não tem referência para o que são 2 °C de máxima em Berlim em janeiro, com vento e com o sol se pondo às 16h. "Um casaco mais grosso" não resolve, porque o corpo não está acostumado, e você vai passar o dia inteiro na rua, que é o que se faz em viagem.
Por isso as páginas por país deste guia trazem tabela mês a mês, com temperatura máxima, mínima e chuva. Procure o seu mês de viagem e leia o número da mínima: é ela que decide o casaco.
A regra das camadas. Para o inverno europeu, três peças finas aquecem mais que uma grossa, e permitem tirar uma quando você entra num museu ou num restaurante, onde o aquecimento costuma estar forte. A ordem é: uma camada junto ao corpo (segunda pele ou manga comprida), uma de calor (moletom, fleece, tricô) e uma de fora que corte o vento e a água. É a de fora que a maioria dos brasileiros esquece, e é a que mais faz diferença: o frio europeu com vento é muito pior que o mesmo número no termômetro sem vento.
Tomada e voltagem: o clássico do prejuízo
Esta é a parte em que se queima aparelho, e vale ler com atenção porque envolve duas coisas diferentes que são sempre confundidas: o formato do plugue e a voltagem.
O formato. O Brasil usa um padrão próprio, o da norma NBR 14136 (o "tipo N"), com dois pinos redondos e um terra no meio. Ele não existe na Europa. Lá o padrão é o tipo C (dois pinos redondos, sem terra, o "europlug") junto com o tipo F, o Schuko alemão, com terra por presilhas laterais, usado em Alemanha, Holanda, Espanha, Portugal e boa parte do continente. A França usa o tipo E, com um pino de terra que sai da parede. A Itália tem, além do C e do F, o tipo L, com três pinos em linha, que é só dela.
A boa notícia: o plugue tipo C, fininho e sem terra, entra nas tomadas de todos esses países. É por isso que um adaptador universal simples resolve a viagem inteira, inclusive na Itália.
A voltagem. No Brasil convivem 127 V e 220 V, dependendo da cidade. Na Europa a rede é padronizada em 230 V, 50 Hz. Ou seja: mesmo onde você já usa 220 V em casa, a frequência é outra (a nossa é 60 Hz), o que importa para aparelhos com motor e relógio.
Adaptador não é transformador. Esta frase evita quase todos os prejuízos. O adaptador só muda o formato do plugue para caber na parede. Ele não mexe na voltagem. Se você plugar um aparelho de 127 V numa tomada europeia de 230 V usando só um adaptador, o aparelho recebe 230 V e queima, muitas vezes na hora e com cheiro de queimado. O transformador (ou conversor) é que baixa a voltagem, é pesado, caro, e quase nunca vale a pena levar.
Como saber se o seu aparelho aguenta. Olhe a etiqueta, na fonte ou no corpo do aparelho, e procure a linha de input. Se estiver escrito "100–240V" (ou "100-240V~ 50/60Hz"), é bivolt automático: funciona na Europa com um adaptador simples, sem mais nada. Praticamente todo carregador moderno é assim: celular, notebook, tablet, câmera, fone. Se estiver escrito só "127V", não leve.
Na prática, o que costuma queimar é sempre a mesma lista: chapinha, secador de cabelo, babyliss, barbeador de tomada, ferro de viagem, aparelho de nebulização e carregadores antigos. Aparelho que esquenta é aparelho que consome muita energia, e é justamente onde o "bivolt" é mais raro. Se a sua chapinha não diz 100–240V, a saída barata é comprar uma no destino ou usar a do hotel: sai mais em conta que o transformador e bem mais em conta que o aparelho queimado.
Vale levar também uma régua ou extensão pequena de tomadas brasileiras. Com um único adaptador na parede, você carrega celular, notebook e câmera ao mesmo tempo. Quartos de hotel europeus costumam ter poucas tomadas livres, e assim você não precisa de três adaptadores.
Documentos: o que a imigração pode pedir
Isso não vai na mala, vai na bolsa de mão, e é o que decide se a viagem começa bem. O Código das Fronteiras Schengen (Regulamento UE 2016/399, artigo 6) lista as condições de entrada para quem vem de fora da União Europeia. Para brasileiro, que é isento de visto para turismo de até 90 dias, são estas:
- Passaporte válido por pelo menos três meses além da data prevista de saída;
- Justificativa da viagem: na prática, a passagem de volta ou de continuação e o endereço da hospedagem;
- Meios de subsistência suficientes para os dias de viagem. O regulamento diz que o cálculo é feito por referência aos preços médios de hospedagem e alimentação econômicas no país, multiplicados pelos dias de estadia, e que a comprovação pode ser em dinheiro, cartão de crédito ou cheques de viagem;
- Não ter registro de recusa de entrada no sistema (SIS) nem ser considerado ameaça à ordem pública.
Leve tudo isso impresso ou salvo offline no celular. A fila da fronteira não é lugar para depender do wi-fi do aeroporto: um chip ou eSIM já ativo no desembarque resolve isso e o resto do dia.
Sobre o seguro viagem, com precisão. Circula muito que "seguro é obrigatório para entrar na Europa". A situação real é mais sutil, e vale saber a diferença. O seguro com cobertura mínima de €30 mil em despesas médicas é exigência formal para quem solicita visto Schengen: está no Código de Vistos (Regulamento CE 810/2009, artigo 15). O brasileiro turista não precisa de visto, e o seguro não aparece na lista de condições de entrada do artigo 6 do Código das Fronteiras. Ou seja: legalmente, não é uma condição de entrada para você. Na prática, o agente de fronteira pode pedir o comprovante ao avaliar se você tem meios para se manter, e algumas companhias aéreas pedem no embarque. Some a isso o motivo real de ter um: uma diária de hospital na Europa passa fácil de €1.000, e não existe SUS para turista. Veja como escolher o seguro.
Se a sua entrada é a primeira depois de abril de 2026, você também passa pelo cadastro biométrico do EES: foto e digitais, na chegada. Não muda nada na mala, mas muda o tempo: conte com fila.
Remédios: a parte que dá problema sério
Brasileiro viaja com remédio, e faz bem. Só que as regras não são as mesmas daqui, e errar aqui é bem pior que errar no casaco.
O básico, para remédio comum. Leve na bagagem de mão: mala despachada se perde, e remédio perdido em país estrangeiro é problema grande. Mantenha tudo na embalagem original, com a cartela dentro da caixa e a bula. Leve a receita, de preferência com o nome do princípio ativo (a DCB/DCI, o nome genérico) e não só o nome comercial: "Novalgina" não diz nada a um farmacêutico europeu, "dipirona" ou metamizol diz. Quantidade: a regra alemã, por exemplo, fala em quantidade compatível com o uso pessoal, entendida como até três meses de tratamento na dose recomendada.
Uma inversão que pega muita gente: remédio que é livre no Brasil pode exigir receita na Europa. É o caso da própria dipirona, que é restrita ou nem comercializada em vários países europeus, e de vários antibióticos e anti-inflamatórios que aqui se compra no balcão. O contrário também ocorre. Não conte em comprar lá o que você toma aqui: leve o suficiente para a viagem inteira, com folga para atraso de voo.
Substâncias controladas: leia antes de fazer a mala. Se o seu remédio é daqueles de receita azul ou amarela (os da Portaria 344 da Anvisa), a regra é outra e o risco é real: são tratados como entorpecentes ou psicotrópicos na fronteira. Entram aqui, entre outros, metilfenidato (Ritalina, Venvanse), benzodiazepínicos (clonazepam, alprazolam), opioides (codeína, tramadol), canabidiol e medicamentos com pseudoefedrina, que está em antigripais vendidos sem receita no Brasil.
Para quem chega de fora do espaço Schengen, que é o caso de quem sai do Brasil, a orientação das autoridades alemãs (BfArM e a alfândega) é levar um atestado médico multilíngue, informando a dose individual e diária, o nome do princípio ativo e a duração da viagem, autenticado pela autoridade de saúde do país de origem. O certificado Schengen do artigo 75 da Convenção de Aplicação do Acordo de Schengen é o documento equivalente para quem circula dentro de Schengen: vale por no máximo 30 dias e exige um certificado para cada medicamento controlado.
Duas ressalvas honestas: cada país tem suas próprias regras sobre quantidade e sobre quais substâncias aceita (alguns proíbem certos medicamentos por completo), e a autenticação por autoridade de saúde nem sempre é simples de obter no Brasil. Se você usa medicamento controlado, trate disso semanas antes da viagem, com o seu médico e com o consulado do país de destino. Não é assunto para resolver na véspera, e muito menos para descobrir na fronteira.
Comida do Brasil: o que pode e o que é proibido
Aqui está a regra que mais gera confisco e que quase ninguém conhece antes de embarcar. Quem viaja de um país de fora da União Europeia não pode levar carne nem laticínios. Nenhum. A proibição vem do Regulamento (UE) 2019/2122 e existe para evitar a entrada de doenças animais.
Na prática, isso alcança justamente o que o brasileiro coloca na mala para matar a saudade: linguiça, calabresa, presunto, salame, carne seca, queijo (todos, inclusive o canastra e o coalho), requeijão, leite em pó, doce de leite e chocolate com alto teor de leite. Se você levar e não declarar, o produto é apreendido e destruído, e você ainda pode ser multado ou processado criminalmente.
O que pode, dentro dos limites da mesma regra:
- Café: pode. Café é produto vegetal processado e não entra na proibição: leve o seu pacote sem medo;
- Mel e outros produtos de origem animal que não sejam carne ou leite: até 2 kg por pessoa;
- Pescado: até 20 kg ou o peso de um peixe, o que for maior;
- Fórmula infantil em pó: até 2 kg, em embalagem lacrada de marca, e alimentos especiais por razão médica, também até 2 kg, desde que não precisem de refrigeração;
- Frutas e verduras: quantidades limitadas e com exigência fitossanitária; na dúvida, não vale o risco.
Fora isso, o que costuma valer a pena na mala e não tem restrição: tempero pronto, farofa industrializada, goiabada, paçoca, biscoito, achocolatado em pó sem leite, Nescau, tapioca, feijão em pacote lacrado. E, se for presente, prefira o industrializado lacrado ao artesanal.
Dinheiro: o limite de €10.000
Se você entra ou sai da União Europeia com €10.000 ou mais em dinheiro (ou o equivalente em outra moeda), é obrigatório declarar à alfândega. Não é proibido levar; é obrigatório declarar. A regra vale por pessoa e está no Regulamento (UE) 2018/1672.
"Dinheiro", nessa definição, é mais amplo do que parece: inclui cédulas e moedas, cheques de viagem e outros títulos ao portador, além de moedas de ouro com pureza mínima de 90% e barras de ouro com pureza mínima de 99,5%. Não declarar, ou declarar com informação errada ou incompleta, sujeita a penalidades, e a alfândega pode reter o dinheiro. Cartões de crédito e débito não entram nessa conta.
Para a viagem comum, a recomendação prática é outra: leve pouco dinheiro vivo. A Europa é amplamente cartão, e o câmbio de casa de câmbio em aeroporto é o pior que existe.
Bagagem de mão: as regras que os brasileiros não esperam
Duas armadilhas, e as duas custam dinheiro no portão.
A primeira: as companhias de baixo custo europeias. Quem está acostumado com LATAM e GOL leva um susto. Ryanair, Vueling, easyJet e Wizz vendem passagens muito baratas para voar dentro da Europa, e em troca a franquia de mão básica é minúscula: em geral uma única peça pequena, que precisa caber embaixo do assento à frente. A mala de bordo padrão brasileira, aquela de rodinhas do bin superior, não está incluída na tarifa básica dessas companhias: é item pago à parte. Pagar no portão custa muito mais caro que comprar junto com a passagem, e a fiscalização com medidor de bagagem é rotina, não exceção. Antes de comprar o trecho interno, abra a página de bagagem daquela companhia e confira as medidas.
A segunda: passagens separadas. Se o voo do Brasil e o voo dentro da Europa foram comprados em reservas diferentes, a mala não segue despachada até o destino final. Você precisa pegar a bagagem na esteira, sair, fazer um novo check-in e despachar de novo, o que consome facilmente duas horas e pode não caber na sua conexão. A calculadora de tempo de conexão soma esse tempo.
Vale ainda a regra dos líquidos, igual à daqui: na bagagem de mão, frascos de até 100 ml dentro de um saco plástico transparente de até 1 litro. Remédio líquido com receita é exceção, mas leve a receita para explicar.
Três itens da lista que merecem explicação
Alguns pontos da lista acima ficam sem sentido em uma linha, então vale o parágrafo.
Guarda-chuva contra capa de chuva. A chuva de boa parte da Europa é fina e constante, bem diferente da pancada de verão daqui. Ela molha devagar, e por horas. Onde venta (Holanda, norte da França, litoral atlântico) o guarda-chuva vira sucata em dois dias: quem já andou por Amsterdã viu os esqueletos deles nas lixeiras. O que funciona é capuz.
Sapato. Turista na Europa anda de 12 a 20 mil passos por dia, sobre pedra irregular, que é uma superfície que castiga muito mais que asfalto. Sapato comprado na semana da viagem dá bolha no segundo dia, e aí o roteiro inteiro encolhe. Use o sapato por duas semanas antes de embarcar. E leve um segundo par: quando o primeiro molha, ele não seca da noite para o dia num quarto europeu sem sol.
Chinelo. Parece bobagem até você chegar num hostel. Fora do verão quase não se vende chinelo na Europa, e o que se acha é caro para o que é.
O que não vale a pena levar: secador (todo hotel tem), toalha (idem), muita roupa "para o caso de", ferro de passar, e a mala grande vazia "para trazer compras". Se for comprar, compre uma mala barata lá, que costuma sair mais em conta que pagar excesso de bagagem nos dois sentidos.
O clima mês a mês, país por país
Cada página traz a tabela com temperatura máxima, mínima e chuva de cada mês, e o que isso significa em roupa concreta:
- Mala para Portugal: Lisboa, o destino mais comum e o inverno mais ameno do grupo.
- Mala para a Espanha: Madri, o extremo entre o verão de 32 °C e o inverno seco e frio.
- Mala para a França: Paris, chuva distribuída no ano inteiro e a tomada tipo E.
- Mala para a Itália: Roma, o outono mais chuvoso do que se imagina e a tomada tipo L.
- Mala para a Holanda: Amsterdã, vento e chuva o ano inteiro.
- Mala para a Alemanha: Berlim, onde o inverno fica abaixo de zero.
Perguntas frequentes
Preciso de adaptador de tomada na Europa?
Precisa. O plugue brasileiro (padrão NBR 14136, o tipo N) não entra nas tomadas europeias. Na Europa o padrão é o tipo C junto com o tipo F (Alemanha, Holanda, Espanha, Portugal), o tipo E na França e o tipo L na Itália. Um adaptador universal simples resolve todos eles. Compre no Brasil: lá o adaptador de padrão brasileiro é justamente o que não se encontra.
Meu carregador de celular funciona na Europa?
Quase certamente sim. Olhe a etiqueta da fonte e procure a linha de input: se estiver escrito '100-240V', é bivolt automático e funciona nos 230 V europeus só com o adaptador de formato. Praticamente todo carregador moderno de celular, notebook e câmera é assim. O que queima é o aparelho que diz apenas '127V': chapinha, secador e babyliss são os casos mais comuns.
Posso levar café e queijo do Brasil para a Europa?
Café pode, sem problema. Queijo não: quem chega de um país fora da União Europeia está proibido de levar qualquer carne ou laticínio, pelo Regulamento (UE) 2019/2122. Isso inclui linguiça, presunto, salame, carne seca, queijo, requeijão, leite em pó e doce de leite. Se levar e não declarar, o produto é apreendido e destruído, e você ainda pode ser multado ou processado.
Posso levar remédio na bagagem de mão?
Pode, e é onde eles devem ir: mala despachada se perde. Mantenha na embalagem original e leve a receita, de preferência com o nome do princípio ativo. Atenção aos controlados (receita azul ou amarela, da Portaria 344): metilfenidato, clonazepam, codeína, canabidiol e até antigripais com pseudoefedrina são tratados como psicotrópicos na fronteira e exigem atestado médico, idealmente multilíngue e com a dose diária. Resolva isso semanas antes de viajar.
Quanto dinheiro posso levar para a Europa?
Não há limite de valor, mas a partir de €10.000 (ou equivalente em outra moeda) a declaração à alfândega é obrigatória, na entrada e na saída da União Europeia, pelo Regulamento (UE) 2018/1672. A definição inclui cédulas, cheques de viagem e ouro em moeda ou barra. Cartões não entram na conta. Não declarar sujeita a penalidades e à retenção do dinheiro.