Entrada na Europa

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Quanto dinheiro levar para entrar na Europa (e como comprovar)

Atualizado em agosto de 2026

"Quanto dinheiro precisa para entrar na Europa?" tem duas respostas: a oficial, que quase ninguém conhece, e a prática, que é o que o agente da imigração olha de verdade. Este guia traz as duas. Os valores país por país publicados pela Comissão Europeia, o que serve como prova (app do banco vale? Wise vale?) e o que muda quando a hospedagem é na casa de parente ou amigo.

De onde saem esses valores

O artigo 6 do Código das Fronteiras Schengen exige que o visitante comprove "meios de subsistência suficientes" para a estadia e para a volta. Suficiente quanto? Cada país fixa o seu valor de referência e comunica à Comissão Europeia, que publica a lista consolidada (anexo 25 do manual prático de fronteiras, com atualização de abril de 2026). Os números da tabela abaixo saem dessa lista oficial, sem arredondar.

Dois avisos antes dela. Primeiro: valor de referência é régua do agente, ninguém cobra pedágio no guichê. Segundo: a conta olha o conjunto. Hotel pago, passagem de volta emitida e seguro pesam a seu favor, e o agente pode aceitar menos dinheiro de quem já chega com tudo isso resolvido.

Um detalhe de vocabulário: muita gente procura por "comprovação de renda", mas na fronteira ninguém pede holerite nem declaração de imposto de renda. O agente quer ver dinheiro disponível para os dias de viagem.

Tabela: o valor de referência de cada país

PaísValor de referência (lista oficial, atualização 04/2026)
Portugal€75 por entrada + €40 por dia. Dispensa possível para quem prova alojamento e alimentação garantidos.
Espanha€122,10 por dia, com mínimo de €1.098,90 por pessoa, qualquer que seja a duração.
França€65/dia com reserva de hotel; €120/dia sem reserva; €32,50/dia com attestation d'accueil (carta-convite validada).
ItáliaTabela própria: €269,60 fixos para até 5 dias; €44,93/dia de 6 a 10 dias; valores menores por pessoa para quem viaja acompanhado.
AlemanhaSem valor obrigatório; a referência usada é €45/dia quando não há outra prova.
Holanda€55 por pessoa por dia, aplicado com flexibilidade.
Bélgica€95/dia em hotel; €45/dia hospedado na casa de alguém (com carta de garantia do anfitrião).
SuíçaCHF 100 por dia; estudante com carteirinha, CHF 30.
Grécia€50/dia, mínimo de €300 para estadias de até 5 dias; menores de idade, metade.
ÁustriaSem valor fixo, análise caso a caso.

Os quatro destinos que mais recebem brasileiros, em detalhe

Portugal tem a conta mais simples: €75 pela entrada mais €40 por dia. Uma semana dá €355; dez dias, €475. A mesma norma diz que quem prova alojamento e alimentação garantidos pode ser dispensado desses valores. É aí que entra o termo de responsabilidade de quem vai ficar na casa de família (seção mais abaixo).

Espanha assusta no papel. A regra (ordem ministerial PRE/1282/2007) manda comprovar 10% do salário mínimo bruto espanhol por dia, o que na atualização de 2026 dá €122,10, e fixa um piso de €1.098,90 por pessoa mesmo para um fim de semana de três dias em Madri. Na cotação recente, o piso passa de R$ 6 mil. E tem um detalhe que quase ninguém conhece: a norma espanhola diz que cartão de crédito ou bancário deve vir acompanhado de extrato recente, e que carta do banco ou extrato de internet "não são aceitáveis". Na prática o agente olha o app e segue o jogo, mas se quiser rigor, tem base legal para querer papel.

França trabalha com três cenários: €65 por dia para quem tem reserva de hotel, €120 por dia para quem não tem nenhuma, e €32,50 por dia para quem apresenta a attestation d'accueil de um anfitrião. Reservou hotel só para metade da viagem? A conta sai mista: €65 nos dias com reserva, €120 no resto.

Itália usa uma tabela de faixas de uma diretiva do Ministério do Interior de março de 2000: €269,60 fixos para viagens de até 5 dias, €44,93 por dia entre 6 e 10 dias, e combinações de valor fixo mais diária para viagens maiores. Quem viaja acompanhado comprova menos por cabeça: numa viagem de 6 a 10 dias, cai para €26,33 por dia por pessoa.

O que serve como prova

A lista oficial de cada país aceita mais coisa do que se imagina:

Se fosse a gente, levaria um mix: uns €200 a €300 em espécie por pessoa para os primeiros dias e o resto entre cartão e conta global. E os prints salvos offline antes de embarcar, porque a fila da imigração é exatamente o lugar onde o wi-fi do aeroporto resolve não funcionar.

O seguro viagem também entra nessa avaliação de meios: leve o comprovante junto com o resto.

Mas eles pedem mesmo?

Sendo honesto: para o turista brasileiro com passagem de volta marcada, hospedagem definida e roteiro claro, a pergunta sobre dinheiro é exceção. As perguntas de sempre são motivo da viagem, onde vai ficar e quando volta.

A comprovação financeira aparece quando algo destoa: viagem longa sem volta fechada, viajante jovem sozinho na primeira ida, resposta vaga sobre hospedagem ("vou ficar na casa de um amigo" sem saber o endereço), ou histórico anterior de estadia estourada. Nos relatos de leitores que chegam aqui, Lisboa é o desembarque onde a pergunta mais aparece.

O EES não mudou nada nesse ponto: o cadastro biométrico substituiu o carimbo, e as perguntas do agente continuam as mesmas.

E se o conjunto não convencer? A entrada pode ser recusada por "meios de subsistência insuficientes", que é uma das alíneas do formulário padrão de recusa de Schengen. É raro, mas acontece; explicamos aqui como funciona a recusa e o que fazer.

Vai ficar na casa de família ou amigos?

É a situação clássica: você não tem reserva de hotel para mostrar, e a exigência de dinheiro pode até subir (na França, dobra). A saída é o documento de anfitrião, que cada país chama de um jeito.

Portugal: termo de responsabilidade

Previsto no artigo 12 da Lei 23/2007, é o documento em que um residente em Portugal (português ou estrangeiro com residência legal) se responsabiliza pela sua estadia e pelos custos de uma eventual saída forçada. O modelo oficial está no site da AIMA (modelo 4). A assinatura do anfitrião precisa de reconhecimento presencial em cartório notarial português, e a AIMA apertou as exigências de forma em 2025, então nada de assinatura escaneada. O custo é o do reconhecimento no cartório, na casa das poucas dezenas de euros, variando por cartório. Com o termo em mãos, você se encaixa na dispensa dos €75 + €40/dia, já que alojamento e alimentação ficam garantidos pelo anfitrião. Leve também cópia do documento de residência de quem assinou.

Espanha: carta de invitación

Aqui o processo é mais burocrático e mais caro. Quem convida vai pessoalmente à comisaría da Policía Nacional (com cita previa, obrigatória em quase todas), levando DNI ou TIE, certificado de empadronamento, escritura ou contrato de aluguel do imóvel e cópia do passaporte do convidado. A taxa é o modelo 790-012: €75,05 no pedido e mais €6,54 na expedição, nos valores de 2026. O trâmite leva semanas, às vezes mais de um mês, então o anfitrião precisa se mexer com bastante antecedência. Atenção: a carta responde pela hospedagem, o dinheiro do dia a dia continua entrando na conta do agente.

França: attestation d'accueil

O anfitrião pede na mairie (prefeitura) da cidade onde você vai ficar e paga um selo fiscal de €30, previsto no artigo L211-8 do código de estrangeiros francês. Com a attestation validada, a referência de dinheiro cai de €120 para €32,50 por dia.

Alemanha e Itália têm figuras parecidas (Verpflichtungserklärung e lettera d'invito), menos usadas em turismo curto de brasileiro; para visita a família com estadia longa, vale perguntar ao consulado do país.

Mais de €10 mil em espécie: declare

Levar dinheiro vivo tem uma regra própria, que confunde muita gente: o regulamento 2018/1672 da União Europeia obriga a declarar à alfândega qualquer entrada ou saída da UE com €10.000 ou mais em espécie (a conta inclui cheques de viagem). A regra manda declarar; levar mais do que isso continua permitido, desde que declarado. Quem passa sem declarar pode ter o dinheiro retido e leva multa.

Do lado de cá a Receita Federal tem regra equivalente: sair do Brasil com mais de US$ 10 mil (ou o valor em outra moeda) exige a e-DBV, a declaração eletrônica de bens do viajante, preenchida online antes do embarque, conforme a Lei 14.286/2021. Turista comum nunca chega perto desse valor. Se o seu caso é outro (pagar um tratamento, um curso), declare nos dois lados e viaje tranquilo.

Mínimo legal e orçamento real são contas diferentes

Os €40 diários de Portugal pagam hostel e refeição simples; os €120 de Paris sem hotel reservado estão perto do que um viajante médio gasta de verdade por lá. Use os valores oficiais como piso de comprovação e monte o orçamento pela sua viagem. E antes de multiplicar diária por dias, confira quantos dias você pode ficar pela regra 90/180 na nossa calculadora dos 90 dias.

Perguntas frequentes

Quanto dinheiro preciso para entrar em Portugal?

A referência oficial é €75 por entrada mais €40 por dia de estadia, segundo a lista que a Comissão Europeia publica. Quem comprova alojamento e alimentação garantidos, por exemplo com termo de responsabilidade assinado por um residente, pode ser dispensado desses valores.

A imigração pede extrato bancário?

Pode pedir, como parte da comprovação de meios de subsistência, mas para turista com passagem de volta e hospedagem definida é incomum. Mostrar o saldo ou o limite no app do banco costuma bastar. Na Espanha, a norma pede extrato recente junto com o cartão, então leve um PDF salvo no celular.

Cartão Wise ou Nomad serve como comprovação financeira?

Serve: o que conta é o dinheiro disponível, e saldo em conta global vale como saldo bancário. Mostre o valor no app e, por garantia, leve um extrato em PDF salvo offline, porque o wi-fi da fila da imigração não é confiável.

Posso levar mais de €10.000 em espécie para a Europa?

Pode, desde que declare. Na chegada à UE, a declaração é na alfândega, exigida pelo regulamento 2018/1672; na saída do Brasil, valores acima de US$ 10 mil exigem a e-DBV da Receita Federal, feita online antes do embarque. Sem declarar, o dinheiro pode ser retido e há multa.

Sou obrigado a levar euro em espécie?

Não existe valor mínimo em espécie: cartão com limite, saldo em conta e serviços já pagos também contam como prova. Um pouco de dinheiro vivo ajuda na chegada e serve de prova imediata, mas o grosso pode ficar no cartão.

O que acontece se eu não conseguir comprovar o dinheiro?

O agente avalia o conjunto: passagem de volta, hospedagem, seguro e as suas respostas. Se nada convencer, a entrada pode ser recusada por meios de subsistência insuficientes, uma das alíneas do formulário de recusa de Schengen. É raro, mas acontece; veja o guia sobre ser barrado na imigração.