Atualização
EES em setembro de 2026: o período de adaptação está acabando
Atualizado em agosto de 2026
Em 6 de setembro de 2026 expira o mecanismo legal que permite aos aeroportos europeus pausar a coleta de biometria do EES quando a fila cresce demais. A partir do dia 7, salvo decisão de última hora, toda fronteira do espaço Schengen terá de fazer o registro completo — foto e digitais — de cada viajante, não importa o tamanho da fila. Nove países já pediram prorrogação, e a resposta ainda não saiu. Aqui está o que se sabe, o que ainda não se sabe e como se preparar.
A válvula de escape que está para acabar
Desde que o EES passou a valer em todas as fronteiras, em abril de 2026, existe uma válvula de escape: quando a fila sai do controle, um posto de fronteira pode suspender a coleta de biometria por blocos de 6 horas, renováveis. A regra é cirúrgica — vale para um posto específico (um terminal, um aeroporto), nunca para um país inteiro, e suspende apenas a parte biométrica do cadastro.
Um detalhe que muita gente não percebe: o registro digital de entrada e saída continua funcionando mesmo durante as pausas. Ou seja, o relógio dos 90 dias em 180 segue contando normalmente — pausa na biometria não é pausa na contagem. Se o seu roteiro chega perto do limite, confira o saldo na calculadora dos 90 dias.
É esse mecanismo que expira em 6 de setembro. Sem ele, a partir de 7 de setembro todos os postos voltam à regra cheia: biometria de todo viajante de fora da UE, em toda passagem — justamente quando termina o verão europeu.
O que se sabe — e o que ainda não se sabe
O que se sabe: em 7 de julho, nove países — entre eles Portugal, França, Alemanha, Itália e Holanda, exatamente as principais portas de entrada dos brasileiros — pediram formalmente à Comissão Europeia que mantenha essa flexibilidade depois da data. Também se sabe que a Comissão rejeitou, em julho, os pedidos do setor aéreo para suspender o EES no verão ("não é possível, nem necessário"), admitindo cerca de 20 pontos problemáticos entre os cerca de 1.500 postos de fronteira.
O que ainda não se sabe: se a prorrogação vai sair. Até meados de agosto não havia decisão, e uma extensão formal exige nova legislação — não é canetada simples. A Comissão já disse que isenções generalizadas "não têm base legal", embora o comissário europeu de Transportes tenha sinalizado à indústria que alguma flexibilidade pode continuar. Em resumo: tudo em aberto. Atualizaremos esta página assim que houver decisão.
O efeito nos aeroportos que os brasileiros mais usam
Os aeroportos que mais recorreram às pausas são justamente os grandes hubs: Paris (CDG e Orly), Amsterdã‑Schiphol, Frankfurt, Bruxelas e Milão. Em Portugal, Lisboa, Porto e Faro pausaram apenas nos embarques de volta — na chegada, a biometria continuou. São eles que sentiriam primeiro o fim da válvula.
E as filas já estão maiores que as do ano passado. Nos picos de julho de 2026: Frankfurt chegou a 120 minutos de espera (contra 60 em julho de 2025), Schiphol a 120 (contra 80), e o CDG — o caso mais grave — registrou picos de até 4 horas no Terminal 2E. Nos piores pontos da Europa, houve picos de até 5 horas. Lisboa, que teve falhas técnicas e conexões perdidas em maio, reforçou a fronteira entre o fim de maio e julho: 34 balcões manuais na chegada, 31 e‑gates, novos totens de autoatendimento e mais policiais.
A boa notícia continua a mesma: quem já se cadastrou no EES em qualquer viagem desde outubro de 2025 faz só a verificação rápida — o gargalo é do primeiro cadastro.
Viajando em setembro? Como se preparar
- Conexão no primeiro aeroporto europeu: 2h30 a 3 horas. Conexão de 90 minutos em setembro de 2026 é aposta, não plano. Os tempos por situação estão no nosso guia de quanto tempo antes chegar ao aeroporto.
- O pior horário é a manhã. Os voos do Brasil pousam quase todos entre 5h e 10h, junto com os dos Estados Unidos — é quando a fila explode. Quem pousa à tarde encontra outro aeroporto.
- Use o aplicativo oficial "Travel to Europe" se puder. É o app oficial de pré-registro da UE, que adianta parte do cadastro até 72 horas antes da viagem. Funciona por completo na Suécia (dados do passaporte, foto e questionário) e, em Portugal, adianta só o questionário — a começar pelo aeroporto de Lisboa, a principal porta dos brasileiros. As digitais continuam sendo colhidas presencialmente. É gratuito: qualquer site ou app cobrando por isso é golpe.
- Segunda viagem em diante é rápida. Cadastro feito, resta a verificação.
- Documentos de sempre à mão, incluindo o comprovante do seguro viagem — a imigração pode pedir.
E o ETIAS?
Sem novidade concreta: a data oficial foi retirada do calendário em julho, e um novo cronograma é esperado depois da reunião de setembro do conselho de administração da eu‑LISA, a agência que opera o sistema — 2027 segue como o cenário mais provável. Veja aqui a diferença entre EES e ETIAS.
Perguntas frequentes
As filas do EES vão piorar em setembro de 2026?
É o risco. Sem prorrogação, a partir de 7 de setembro os aeroportos perdem o direito de pausar a biometria nas horas de pico — e hubs como Paris-CDG, Frankfurt e Schiphol vêm dependendo dessas pausas no verão. A favor do viajante: o fim da alta temporada e o número crescente de pessoas já cadastradas, que passam por verificação rápida.
O EES vai ser suspenso?
Não. A Comissão Europeia rejeitou em julho os pedidos para suspender o sistema ('não é possível, nem necessário'). O que pode ser prorrogado é apenas o mecanismo que permite pausar a coleta de biometria em postos específicos — e essa decisão ainda não saiu.
Preciso fazer algo antes de viajar?
Não. O EES continua gratuito, sem formulário e sem cadastro prévio obrigatório — tudo acontece na chegada. A única novidade opcional é o aplicativo oficial 'Travel to Europe', disponível para quem entra pela Suécia ou por Portugal. Sites que cobram por 'registro EES' são golpe.
O que é o aplicativo 'Travel to Europe'?
O app oficial da União Europeia para adiantar parte do cadastro do EES até 72 horas antes da viagem. Na Suécia faz o pré-registro completo (passaporte, foto e questionário); em Portugal, por enquanto, adianta o questionário, começando pelo aeroporto de Lisboa. As digitais continuam sendo colhidas presencialmente. É gratuito.
A contagem dos 90 dias para quando a biometria é pausada?
Não. As pausas suspendem apenas a coleta de foto e digitais; o registro digital de entrada e saída continua funcionando, e o relógio dos 90 dias em 180 segue contando normalmente.